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Lendas do Japão - Nanatsu no ko (Curiosidade)



Em Tokyo, todo dia toca uma mesma música em algum ponto do bairro. Como era dia útil, no início ficou a curiosidade para saber se ia tocar no fim-de-semana. Bem, tocou no fim-de-semana. Aí percebi que também tocava nos feriados, festas. Não havia jeito, programaram aquilo para tocar até em nevasca.
Se tinha significado, não sabia. Nem por que tocavam, nem de onde vinha. Dependendo do lugar em que eu estava, a música tocava em dois lugares ao mesmo tempo. Desconfiava que vinha de alguma escola local, pois só escolas têm sinal. Mas as aulas terminam às 3 e meia da tarde no Japão. Não podia ter relação com atividade escolar porque toca nas férias escolares também.
A música toca também tão alto que cheguei a pensar se não atrapalhava os vizinhos. Mas era interessante. Por que tocam essa música todo santo dia? "Um dia," eu dizia com meus botões, "vou gravar essa música e levar para o Brasil!"
Esse dia chegou. Num domingo ensolarado de inverno, preparei a câmera filmadora e fui de bicicleta procurar a fonte sonora. Surpresa. Não é que a música tocou enquanto estava a caminho?
Ver vídeo e áudio da fonte sonora.
Não demorou muito, enfim descobri o mistério que envolve a música.
A música se chama "Nanatsu no ko", ou sete crianças. É uma canção de ninar japonesa. Ela toca às 4 e 30 da tarde para avisar as crianças que é para elas voltarem para casa. Isso faz sentido porque a música só toca nesse horário no outono e no inverno, quando escurece cedo. É por isso que toca todos os dias: o inverno não deixa de ser inverno fora dos dias da semana ou feriados.
Na primavera e no verão, quando escurece mais tarde, tocam uma outra música às 5 e meia da tarde.
Na verdade, as sete crianças são sete passarinhos (corvos ou karasu em japonês). A canção diz: "Por que canta mãe corvo?" Ela responde que está voando para a montanha onde suas sete crianças estão sozinhas. Por isso ela canta "kawaii, kawaii" (são lindas, são lindas!).


Lendas do Japão - Anchin e Kiyohime





Há muitos e muitos anos, havia um jovem monge chamado Anchin. Todos os anos, ele fazia uma peregrinação nos Caminhos de Kumano. Certa ocasião, quando se dirigia a um templo em Kumano, começou a escurecer, então ele procurou uma casa onde pudesse passar a noite. Encontrou uma aldeia chamada Hidaka e bateu à porta da primeira casa. Foi atendido por um senhor que era o administrador da aldeia.

– O senhor poderia me dar pousada por esta noite? Estava indo para um templo, quando fui surpreendido pelo entardecer.


O homem recebeu-o cordialmente. Ele tinha uma bela filha adolescente chamada Kiyohime. Anchin elogiou a beleza da garota e disse brincando que viria buscá-la depois de três anos para se casar com ela.
Na manhã seguinte, Anchin seguiu em peregrinação.


Três anos se passaram e Anchin novamente estava fazendo a peregrinação pelos Caminhos de Kumano. Por coincidência, quando passava próximo da aldeia, o tempo fechou e começou a escurecer. Lembrando que já conhecia o administrador local, foi pedir hospedagem.


O monge já nem se lembrava da menina Kiyohime, mas, ao vê-la na casa do administrador, a lembrança voltou à mente do monge. Ao mesmo tempo, o religioso ficou muito surpreso ao constatar que ela havia se transformado em uma bela mulher.


Anchin já havia pegado no sono quando foi despertado pela presença de Kiyohime ao lado de seu leito. Ela se atirou em seus braços e disse emocionada.


– Obrigada por ter vindo me buscar. Esperei tanto por esse momento que, durante três longos anos, fiquei contando os dias à sua espera.


Foi uma noite de amores ardentes. Ao despertar, na manhã seguinte, Anchin, caiu em si. Como bonzo, estava proibido de se casar. Mas não teve coragem de contar a verdade para Kiyohime. Prometeu a ela que iria até o templo em Kumano e na volta passaria lá para assumir compromisso matrimonial com ela.


Na tarde deste dia, Anchin chegou ao templo. Como estava com a cabeça nas nuvens, Osho-san, o monge superior, logo percebeu que ele estava pensando em alguma mulher. Por isso, aconselhou-o que meditasse bastante antes de fazer alguma bobagem.


Anchin meditou muito e finalmente disse para si mesmo: 
– Eu sou um bonzo. Não posso querer Kiyohime. Regressarei por outro caminho para não me encontrar com ela. E assim fez. 


Enquanto isso, Kiyohime, preocupada, se perguntava: 
– Por que Anchin não volta do templo?
Ela decidiu ir ao seu encontro. Perguntou para um peregrino que passava por ali se ele não havia visto um monge e fez a descrição de seu tipo físico.
– Sim, eu o vi no templo, ele tomou outro caminho para retornar a sua cidade.
– Não posso crer. Ele havia prometido que viria ao meu encontro – disse Kiyohime surpresa e quase chorando.


Ela correu muito para alcançar Anchin e chegou a vê-lo na travessia do Rio Hidaka.
– Anchin, me espere! Anchin, me espere! – ela gritou com toda a força de seus pulmões.


Ao vê-la, Anchin disse:
– Remador, rápido, zarpe o bote.


Kiyohime surpreendeu-se e ficou sem entender porque ele estava fugindo.
Ela ficou muito triste, e seu amor transformou-se em ódio.
– O rato entrou no rio e desapareceu. Somente uma serpente aquática pode acabar com um rato da água.


Kiyohime estava com tanto ódio, que mergulhou no rio para tentar atravessá-lo a nado. Pessoas que estavam na beira do rio ficaram pasmas com o gesto impensado de Kiyohime. Naquele rio, a correnteza era tanta que era impossível atravessá-lo nadando.
 Testemunhas contaram mais tarde que a moça atravessou o rio nadando e, quando surgiu na outra margem, havia se transformado em uma enorme serpente. Dizem que o desejo de sua mente moldou seu corpo, transformando-o numa serpente aquática. Assim que a transformação se completou, mergulhou no rio e foi nadando atrás do bote onde estava o monge fujão.



Anchin desembarcou do bote e refugiou-se no Templo Dodoji (atualmente na província de Wakayama).
– Socorro, socorro, escondam-me por favor!
Os monges do templo, mesmo sem saber de que se tratava, abaixaram um enorme e pesado sino, ocultando Anchin em seu interior.
A serpente subiu a escadaria e encontrou o sino.
Anchin rezava desesperadamente.


A serpente se enrolou no grande sino, jorrando chamas de sua enorme boca.
O sino começou a esquentar, esquentar, até que o metal avermelhou completamente e deformou-se, derretendo um dos lados. Em seu interior, com o calor, Anchin morreu assado. 


Os monges de Dodoji fizeram o enterro de Anchin. Após a tragédia, encomendaram a fundição de um novo sino e determinaram que nenhuma mulher poderia se aproximar de sua plataforma.


O tempo passou, e o novo sino chegou ao Templo Dodoji. Foi preparada uma grande festa para instalação do sino com a participação da comunidade local, porém a cerimônia de intronização estava proibida para mulheres. Entretanto, durante a cerimônia, uma bela jovem veio pedir que a deixassem fazer um número de dança clássica para dar mais brilho ao grande evento. Dada a permissão, ela foi dançando em direção ao sino e, embora tivesse sido proibido, tocou nele. Empurrando-o com uma força sobrenatural e levantando um de seus lados, a jovem entrou dentro do sino.


Em seu interior, ela se transformou numa serpente gigante e, soltando fogo pela boca, fez o sino avermelhar em brasa. Assim, Kiyohime morreu como seu amado Anchin.


Dizem que, tempos depois, Anchin e Kiyohime apareceram abraçados e felizes em sonhos dos monges do Templo Dodoji. Eles teriam aparecido para desculpar-se pelos transtornos que haviam causado. Contaram que estavam felizes, pois haviam encontrado caminhos a seguir na Sutra de Lótus.


(Texto: Claudio Seto)


Voltamos!
^^



Lenda sobre a origem dos pandas - AS CORES DO PANDA.





Os pandas choram. Há muito tempo atrás o panda era branco. O panda branco tinha uma amiga, que era a mais nova de quatro irmãs. O panda ajudava-a a pastorear as ovelhas do pai. Um dia, apareceu um tigre esfomeado e queria comer o panda. A garota tentou impedir o ataque, mas o tigre matou-a, embora ela tenha conseguido proteger seu amigo panda.






Para homenagear a garota, todos os pandas esfregaram cinza negra nas patas. Era um sinal de luto. Eles ficaram muito tristes e a cinza negra ficou marcada no pelo e nos olhos por terem chorado muito. 
Quando abriram de novo os olhos, as três irmãs tinham desaparecido. Tinham tantas saudades da irmã, que foram procura-la na floresta e nunca mais foram encontradas, alguns dizem que elas caíram no rio e morreram, outros dizem que Deus as levou para junto da irmã que se sacrificou pelo panda. No dia seguinte surgiu uma montanha com quatro picos, que representam as Quatro Irmãs.


 Elas estão de guarda dos pandas, tomando conta deles. Protegendo-os para sempre. Por isso os pandas nunca esqueceram as quatro irmãs que se preocuparam com eles. E é por isso também que ficaram pretos e brancos eternamente.



"O amor é o grande milagre da cura. O amor a nós mesmos promove milagres em nossas vidas." 

-Louise L. Hay




Lenda da Família Himuro




A Família Himuro participava de um específico e enigmático ritual com o nome de "Ritual de Estrangulamento", que era usado para selar o karma ruim da Terra. O Karma, chamado "Malice" (ou Malícia), emergiria em uma data específica perto do final do ano a partir de algum lugar da mansão onde se encontrava o portal dos mortos.

Mais um Conto Natalino - Saito Miyamoto


Como prometido, trago a  vocês o Conto Natalino desse ano \o/

Espero que gostem e comentem:)





Mais um Conto Natalino


Era véspera de natal, havia luzes em todos os cantos da pequena cidade, logo podiam se ouvir as tradicionais músicas natalinas no ar. Soava de um modo tranqüilo, o espírito do natal estava presente em cada lar, em cada rua, em cada habitante. A neve e o frio criavam o perfeito cenário natalino.

Katy, uma criança de 12 anos, estava a brincar com seus amigos no parque, o que para sua mãe se travava de horas, para ela não passava de minutos, afinal é véspera de natal! A melhor e mais linda época do ano, sendo assim deve ser aproveitada ao Máximo!

Passado-se algumas horas, Amanda sua mãe a chama para voltar para casa.

___Vamos Katy já é tarde e temos muito a fazer antes da ceia de natal!
___Mas mãe, ainda está cedo!
___Ok, então tomarei o chocolate quente sozinha!
___Pensando bem... Já esta meio tarde e não vamos querer deixar o papai esperando não é? – disse Katy com os olhos brilhando, já imaginando o doce sabor do chocolate quente de sua mãe.

Enquanto caminhavam de volta para casa, Katy olhava para todos os cantos, fascinada com as belas músicas, luzes e gorros vermelhos. Tudo era belo e cheio de vida, todo ano era sempre a mesma coisa, porem ela nunca enjoava e olhava sempre com os mesmos olhos cheios de entusiasmo para todos os lados, como se fosse sempre a primeira vez. Sua mãe percebera a reação de sua filha com tudo aquilo, porem ficou somente observando.

Chegando em casa, Katy sentiu um cheiro delicioso e foi correndo em direção a cozinha, onde seu pai  Ícaro estava fazendo seus apetitosos cookies com passas:

__Quando ficarão prontos? – perguntou Katy empolgada.
__Logo, eu espero. – disse seu pai com um sorriso no rosto.
__Estarei na sala, arrumando alguns últimos detalhes antes da ceia, quando estiver pronto me chame ok? – disse seu pai, saindo da conzinha.
__Tudo bem. – disse Katy, sem tirar os olhos dos cookies, como se eles fossem fugir a qualquer momento.

Sua mãe ao entrar na conzinha e se deparou com aquela cena, a menina parecia estar vendo o especial de natal dos Simpsons, pois não desgrudava os olhos do vidro do forno.

__Se você ficar olhando de mais, eles nunca vão ficar prontos. E alias, eles não vão fugir tão fácil! – Disse sua mãe com um tom sarcástico
__Comigo aqui é que não vão mesmo! – disse determinada.
__Ok carcereira, poderia tirar uma folga rápida e pegar as passas para mim?
__Claro! O que irá fazer?
__A sobremesa.
__Hummm... O que seria essa tal sobremesa? – disse Katy com água na boca.
__Espere e saberá!
__Tudo bem então.

Katy se sentou e ficou ali a olhar para a janela, vendo o movimento lá fora. Estava nevando, e logo começou a escurecer, fazendo com que as luzes de natal ficassem cada vez mais fortes e cheias de energia, o que tornava tudo ainda mais belo. Amanda, vendo a expressão de paz e alegria no rosto de sua filha, parou um pouco e perguntou.

__Katy, o que você vê de tão lindo e comovente no natal? Sei que pode ser lindo, porem todo ano é a mesma coisa.

Katy então olhou para sua mãe, deu um leve sorriso e disse.

__Está enganada, não é algo monótono, ah muito mais do que os olhos podem ver. As luzes, as músicas, as cores... Tudo isso transmite uma energia, uma paz, um sentimento, o espírito de natal está presente em tudo e em todos nessa época. Tudo se torna simplesmente lindo, é a época em que olhamos para trás, para o ano que chega ao seu fim, de modo simples e cheio de esperança. É a época em que sonhos se tornam realidade, a época em que o bom velhinho vem a nós trazer seus presentes, a esperança, a paz, a compaixão, o amor, a amizade. Não é somente o ato de enfeitar tudo e darmos presentes uns aos outros, mais sim o sentimento que essa data trás todo ano, seja ele um ano bom ou não. Sempre nós reunimos para celebrar o natal.

__Agora entendo – disse sua mãe, voltando a mexer na sobremesa, no fundo ela estava orgulhosa com o pensamento de sua filha, pois ela era uma boa pessoa.

Os cookies de seu pai ficaram no ponto, a sobremesa de sua mãe foi o prato mais elogiado, a ceia de natal daquela família foi próspera e animada, naquela noite, todos estavam em harmonia e tudo ocorreu bem.

No dia seguinte o espírito natalino estava mais forte e todos podiam ver que afinal de contas a essência do natal, nada mais é aquilo que Katy disse a sua mãe.


Saito Miyamoto.




>.<
Mery Kurisumasu


Conto - O Jovem Samurai e A Dádiva da Humanidade





O Jovem Samurai e A Dádiva da Humanidade



Há muito tempo atrás, no Japão Feudal, havia um jovem samurai chamado Saito. Saito era conhecido em todos os quatro cantos do Japão por ser o melhor guerreiro de todo o reino, era um exímio Samurai, seu treinamento era o melhor que o Imperador podia oferecer, ele possuía a mais bela Katana forjada pelo melhor ferreiro do reino.

Um dia o jovem foi chamado pelo Imperador que lhe deu uma missão, encontrar e trazer a chamada Dádiva da Humanidade, sem entender ao certo, Saito apenas cumpriu a ordem e partiu em sua jornada.

Depois de alguns dias de caminhada, levando consigo somente a sua preciosa Katana, com a qual matara vários e influentes inimigos do Imperador ele chegou a uma pequena aldeia na qual permaneceu por um curto tempo, não achando nada de estimável valor naquela aldeia, ele continuou sua jornada solitária.

Duas luas cheias se passaram, enquanto caminhava pelo bambuzal, o jovem samurai avistou um brilho distante, vindo de uma pequena cabana no meio do bosque, que estava logo à frente. Chegando à cabana, seus olhos viram algo único, seu brilho era intenso, ele tinha a sua frente uma jóia de valor inestimável, era  um belo diamante, tão grande quanto uma maçã.

Ao se aproximar da jóia, ela desapareceu como mágica, espantado com o que acontecera o jovem ficou confuso. Logo se ouviu uma risada baixa, ao se virar deu de cara com um Monge.

– Jovem Samurai não percebe que foi enganado por seu próprio instinto? – disse o Monge sentando-se em um toco de arvore.

– Não entendo, estava bem aqui, eu tinha certeza que era a Dádiva! – disse o Jovem sem entender nada.

– Você procurou por muito tempo algo que achava ser algo muito valioso e belo, quando já tinha encontrado o que realmente procurava. – Disse o Monge, muito calmamente.

Sem prestar atenção direito ao monge o jovem samurai voltou a olhar para o local onde vira o diamante, ao se virar para fazer uma pergunta ao monge, ele havia sumido.

O jovem samurai decepcionado por ter sido uma mera ilusão seguiu em frente, enquanto parava ao leito de um rio para matar sua sede, se deparou com uma cena que lhe chamou a atenção, dois ursos estavam a caçar peixes a uns dois metros dali, um urso, o mais velho estava pegando um peixe, enquanto o outro somente observava.

Ao ver a cena o jovem samurai deu meia volta e decidiu voltar para o ponto de partida de sua jornada, a província do Imperador. Chegando ao palácio imperial, o Imperador ao ver que o seu Samurai voltara de mãos vazias ficou extremamente irritado.

____Como ousa voltar sem a Dádiva? – disse o imperador.

____Meu imperador, passei por grandes florestas, atravessei extensos rios, lutei contra vários e  fabulosos inimigos em busca de uma jóia ou algo de igual valor – continuou o Samurai. E trouxe para o senhor aquilo que encontrei em minha jornada.

____Como encontrou? Se veio a mim sem ter nada em mãos? – perguntou o Imperador meio confuso.

____Meu imperador, a maior Dádiva da Humanidade não é uma jóia ou algo que se possa tocar, vender ou guardar em um cofre, mais sim a Sabedoria e o Aprendizado.

____Em minha busca por algo sólido que pudesse trazer para o senhor, algo realmente valioso e digno de um nobre, percebi que tinha conseguido muito mais do que procurava todo esse tempo ao qual estive fora, muito aprendi e descobri. A vida não se resume somente á batalhas e sangue e nem mesmo a paixões terrenas.

O Imperador então ficou satisfeito com o que o jovem samurai conseguira e lhe ofereceu o peso do jovem em ouro. O jovem,  porém, recusou pedindo que o deixasse compartilhar com todos ao seu redor a sabedoria que obtivera em sua jornada, o Imperador entendeu a decisão do jovem e o tornou o seu conselheiro.

O jovem Samurai se tornou um Monge, deixando de lado todo o sangue e as batalhas, para se dedicar aos estudos das artes e escrituras antigas, e a passar sua sabedoria ao próximo. 

Saito Miyamoto.


Espero que tenham gostado xD




  U_U



Lendas do Japão Kitsune (A Raposa) 狐




No folclore japonês, a raposa e o texugo eram considerados ilusionistas e viviam pregando peças. Conta uma antiga lenda que, nos arredores de uma pequena cidade, vivia uma família de raposas. Elas eram famosas pelo modo original de iludir as pessoas. Muito criativas, ninguém conseguia escapar de suas artimanhas.


Uma dessas raposas transformava-se em um homem barbeiro e deixava careca todos os clientes que o procuravam para fazer penteados ou aparar os cabelos. Assim, todos os homens da cidade ficaram de cabeças raspadas. Por isso, o animal encantado acabou ganhando o apelido de kitsune tokoya, ou seja, “raposa barbeira”.


Certo dia, houve, na casa do conselheiro da cidade, uma reunião para por fim àquela situação. Afinal, numa época em que os penteados estavam na moda para homens em todo o Japão, não era admissível que só aqueles da pequena cidade não pudessem andar de cabeça erguida. Apesar de haver unanimidade na decisão de fazer a raposa parar com a brincadeira, ninguém tinha sugestão de como fazer isso. Então, descobriram que, entre todos os homens da cidade, havia um que ainda mantinha seu belo penteado. Era um samurai jovem e esperto chamado Saizoemon. Diziam que seu único defeito era ser convencido.


Assim, o conselho de cidadãos resolveu chamá-lo para saber como havia conseguido safar-se da ardilosa brincadeira da raposa barbeira.


Chegando ao local da reunião, o samurai foi logo dizendo:
– Sabem por que se deixaram enganar por uma raposa? Simples, porque vocês são tolos. Sendo assim, não adianta ficar discutindo o dia todo, porque não vão chegar a conclusão alguma. No entanto, eu sei como dar um jeito. Então, o que estão esperando? Admitam a incompetência e me implorem para castigá-la.


Apesar de a arrogância irritar os presentes, ninguém viu outra alternativa senão pedir humildemente para que Saizoemon desse um jeito na atrevida raposa.


O samurai pegou uma lança e foi para o bosque, onde todos diziam que havia esconderijos de raposas. Quando caminhava por uma trilha entre árvores de pinho, cruzou com uma bela garota de olhar malicioso, que o cumprimentou:


– Boa tarde, Saizoemon, está passeando pelo bosque?
O samurai logo desconfiou que era um truque ilusionista da raposa e atacou com sua afiada lança. A moça, assustada, esquivou-se do golpe deixando aparecer uma cauda branca.
– Eu tinha razão, sua raposa safada. Agora, você não vai escapar de meu golpe – assim dizendo, atacou a raposa, que voltou ao seu formato e fugiu apavorada.
Vitorioso na primeira investida, ele ficou mais convencido de sua esperteza e foi caminhando mata adentro.


Numa clareira do bosque, viu outra mulher que parecia estar descansando. Logo desconfiou de que se tratava de outra raposa.


Assim que a mulher saiu andando, ele a seguiu, escondendo-se atrás das árvores enquanto observava-a.


Num momento, a mulher agachou e juntou um punhado de capim seco. Dobrou os capins e, com eles, fez um boneco.

Saizoemon segurou a respiração e observou atentamente.

A mulher esticou os braços levantando o boneco e assoprou com força. Como num passe de magia, o boneco ganhou vida, transformando-se num bebê humano. Embora espantado, o samurai não tinha mais dúvida de que se tratava de uma raposa.

Com o bebê no colo, a mulher entrou na casa de um lenhador e foi recebida por uma velhinha com grande alegria.


– Nossa – pensou Saizoemon – a raposa está tentando enganar a pobre velhinha. Preciso agir imediatamente. Assim dizendo, adentrou a casa derrubando a porta com o pé. Encostando a lança no pescoço da mulher, ele disse:

– Cuidado, minha senhora, esta raposa está tentando lhe enganar. Este bebê é um punhado de capim seco, vi com meus próprios olhos quando ela fez a magia – dizendo isso, o samurai apanhou uma corda e amarrou a mulher. A velhinha, que não estava entendendo nada, protestou:

– Senhor samurai, o que está fazendo com a minha nora, o senhor é um maluco?
– Santa ignorância a sua, minha senhora! Será que não percebe que esta é uma raposa astuta?! Fique olhando calada que vou provar o que estou dizendo.

– Pare, senhor, está completamente enganado. Meu neto não é um punhado de palha, veja é uma criança de carne e osso.

– Minha senhora, quando uma raposa se faz passar por gente, para quebrar o encanto, é necessário fazer fumaça com folha de cedro. Assim que a fumaça encobrir a raposa encantada, logo aparece um rabo branco e, depois, ela volta ao seu formato original.

Assim dizendo, Saizoemon arrastou a mulher amarrada para fora da casa, fez um monte de folhas de cedro e botou fogo para fazer fumaça.

A velhinha gritava desesperada para que Saizoemon parasse com aquele ato bárbaro.

– Por favor, pare com isso, o senhor vai matar a minha nora, a mãe de meu querido netinho.

Sem se importar com as súplicas da velha senhora, o samurai deixou a mulher coberta de fumaças, o que provocou muitas tosses.

– Não se preocupe, senhora, assim que quebrar o encanto, seu netinho vai voltar a ser um simples punhado de capim.

Por mais que a fumaça envolvesse a mulher, não aparecia nenhum rabo de raposa e ela continuava tossindo desesperadamente.

– Pare com isso, ela está morrendo, não está vendo o mal que está fazendo?
Saizoemon não parava. Estava convicto que aquela era uma raposa encantada. De repente, a mulher caiu e ficou esticada no chão.

– Minha nora morreu! Você matou a minha nora! Meu netinho vai ficar órfão! Quanta crueldade!
Saizoemon levou um susto. Balançou e desamarrou a mulher desesperadamente. Todas as tentativas para reanimá-la pareciam inúteis. O samurai foi tomado de um grande arrependimento e, prostrado no chão, reconheceu seu engano.

– Matei essa pobre mulher por engano. Que erro terrível cometi! Não sou digno de continuar sendo um samurai.

Nesse exato instante, apareceu um monge no local.

– O que aconteceu por aqui? Parece uma tragédia.

O samurai contou todo o seu infortúnio dizendo quanto estava pesaroso pelo imperdoável engano.

– Sua alma jamais terá paz enquanto não purificar seu espírito.

A alma da pobre mulher, morta por engano, inconformada por tamanha injustiça, não terá paz. Vai se tornar, com certeza, uma alma penada. É necessário que reze muito, mas muito mesmo, por ela. Raspe sua cabeça e torne-se um monge, assim poderá dedicar muitas orações a sua pobre alma.


Saizoemon concordou que essa era melhor solução, já que era indigno de continuar sendo um samurai. Pediu, então, ao sacerdote que lhe raspasse a cabeça e o ordenasse monge.
Atendendo à vontade do samurai arrependido, o monge raspou a cabeça de Saizoemon. Quando terminou de raspar, o monge desapareceu num passe de mágica. Não só ele como a casa, o bebê, a velhinha e a mulher que parecia morta.


Nisso, o povo da cidade encontrou Saizoemon sentado sobre uma pedra com a cabeça raspada.


– Vejam, a raposa barbeira conseguiu enganar Saizoemon também!

A raposa conseguiu iludir Saizoemon seguindo todos os seus passos. Assim, o samurai tornou-se alvo de gozação de todos na cidade, até que se tornou um cidadão humilde.
































                            
          \o/
 

Lendas do Japão - A Tigela de Madeira




Uma senhora de idade avançada foi morar com o filho, a nora e a netinha de 4 anos. As mãos da velhinha estavam trémulas, sua visão embaçada e os passos, vacilantes.


A família comia reunida à mesa. Mas as mãos trémulas e a visão falha da avó a atrapalhavam na hora de comer. A soja rolava de sua colher e caía no chão. Quando pegava a tigela, o missoshiru (sopa à base de pasta de soja) era derramado na toalha.


O filho e a nora irritaram-se com a bagunça: - Precisamos tomar uma providência com respeito à mamãe”, disse o filho.


- Já tivemos suficiente sopa derramada, barulho de gente comendo com a boca aberta e comida pelo chão.


Então, eles decidiram colocar uma pequena mesa num cantinho da cozinha.
Ali, a avó comia sozinha, enquanto o resto da família fazia as refeições na sala, com satisfação.


Desde que a velhinha quebrara uma ou duas tigelas de louça, sua comida era servida numa tigela de madeira. Quando a família olhava para a avó sentada ali sozinha, às vezes notava que ela tinha lágrimas nos olhos.


Mesmo assim, as únicas palavras que lhe diziam eram admoestações ásperas quando ela deixava um palito ou comida cair ao chão. A menina de 4 anos assistia a tudo em silêncio. 


Uma noite, antes do jantar, a mãe percebeu que a filha pequena estava no chão, manuseando pedaços de madeira. Ela perguntou delicadamente à criança: “O que está fazendo?”

A menina respondeu docemente:


- Oh, estou fazendo uma tigela para você comer, quando eu crescer.


E a garota sorriu e voltou ao trabalho.





\o/
BOKU WA GOHAN... ?! 




Lendas Do Japão - O homem que casou com a raposa

(Crédito das imagens: Cláudio Seto)


O termo kitsune no atae, que literalmente significa “oficial da raposa”, é uma denominação antiga do representante municipal, que preside os festivais folclóricos de suas cidades. Esse termo teria surgido no século VIII, durante o reinado do imperador Kinmei no Japão. Conta a lenda que um rapaz que vivia em Mino no Kuni – atualmente prefeitura de Gifu, montou em um belo cavalo branco e saiu à procura de uma linda noiva para com ela casar.

Depois de cavalgar bastante, por obra do acaso, em uma grande planície, encontrou uma linda jovem colhendo flores silvestres. Ele ficou admirado com a encantadora menina, que abriu um belo sorriso para ele. Seus olhares se cruzaram e ele sentiu um brilho nas pupilas dela, como se quisessem seduzi-lo.
O rapaz aproximou-se educadamente e seu coração se encheu de alegria. Descendo do cavalo, ele dirigiu algumas palavras a ela:

– O que faz tão bela donzela nesta planície florida?
– Estou caminhando à procura de um bom marido!
O rapaz levou um choque de encantamento e, timidamente, propôs:
– Aceita ser minha esposa?
Um tanto ruborizada, a garota abaixou os olhos e respondeu:
– Eu aceito!

Poucos dias depois, o rapaz voltou para sua casa acompanhado da bela garota. Foi realizada, então, uma grande festa de casamento. Assim, o tempo passou e o casal vivia muito feliz.
Tempo depois, a esposa ficou grávida e um filho saudável nasceu no dia 15 de dezembro. Exatamente naquela data e hora, a cadela que o rapaz criava teve um filhote. Os dias foram passando e o cachorrinho, todas as vezes que via a bela mulher do lavrador, começava a rosnar irritado, mostrando os dentes a ela. Às vezes, chegava a atacar furiosamente e ela ficava tremendo de medo.

Um dia, ela pediu ao marido:
– Por favor, querido, peço que mate esse filhote de cachorro que vive me atormentando.
Porém, seu marido ficou com dó de matar o cachorrinho. O tempo foi passando e chegaram os meados de fevereiro; época de pilar o arroz em casca para fazer o beneficiamento.
Então, a bela esposa entrou na despensa onde estava o pilão e o almofariz, para preparar a refeição da tarde. De repente a cadela, mãe do filhote, avançou rosnando e atacou a bela mulher saltando sobre ela com muita raiva. Ela ficou paralisada de medo e tremendo de pavor.

Ao ouvir os gritos, o marido correu em seu socorro. Mas o que ele viu o deixou espantado. Sua bela esposa estava se transformando em uma raposa. Imediatamente, a raposa subiu sobre um armário para fugir dos dentes afiados da cadela e disse ao marido:
– Desculpe-me querido, a cadela quebrou meu encanto e, no momento de medo, acabei por revelar minha forma original. Não sou humana, e sim uma raposa. Mas, creia, eu te amo como ninguém. Tivemos uma bela convivência como marido e mulher. Embora por um período curto, nós fomos muito felizes. A prova da nossa felicidade é essa linda criança, fruto de nosso amor. Sei que, conhecendo minha verdadeira origem, é impossível permanecermos casados, por isso volto à floresta – assim, saltando pela janela, a raposa desapareceu no mato.

Dizem que a raposa voltava todas as noites para dormir com seu marido humano. Desde então, essa raposa encantada em forma de mulher foi chamada de kitsune (ki= vir, tsu= ama, ne= dorme). Mas, na realidade, ela volta nos sonhos do jovem lavrador. Certa ocasião, a raposa encantada veio visitar o marido trajando com um lindo quimono. Seu longo traje tinha a cor de rosa do alvorecer e uma elegância indescritível. Levada pelo vento, ela foi flutuando para um lugar distante e desconhecido. Desde então, o marido nunca mais sonhou com ela. Porém, aquela visão ficou gravada em sua mente ele nunca mais conseguiu esquecê-la. Ele chegou a escrever poemas e recitava-os em homenagem a sua amada.

O garoto filho do lavrador e da raposa cresceu e se tornou um rapaz de força e rapidez sem igual. Um jovem muito popular na província, que acabou se tornando o organizador dos festivais de primavera e da colheita. E, por ele ser conhecido como filho da raposa (kitsune), o cargo de organizador dos festivais passou a ser chamado de Kitsune no Atae. Porque “atae” é o nome dado ao representante (oficial) municipal para ocasiões festivas.









Arigatoo gozaimasu
\o/

Lendas Do Japão - Goban - zakura - a cerejeira - tabuleiro de gô



Antigamente, na província de Hitachi, havia um daimiô (senhor feudal) de nome Oda Sayemon. Ele entrou para a história como um homem que reagia furiosamente sempre que perdia no jogo de gô, um jogo japonês de pedras e tabuleiro.

Seus amigos próximos tentaram aconselhá-lo a controlar a ira; porém, todos os esforços foram em vão. Os adversários que ganhavam de Sayemon levavam uma bofetada no rosto com um pesado abanador de ferro, que, naquela época, os comandantes guerreiros usavam para dirigir seu batalhão em combate. E coitado de quem interferisse: Sayemon decapitava-o, por melhor amigo que fosse.

Dessa forma, ser convidado por Sayemon para uma partida de gô tornou-se um pesadelo. O bom senso dos servidores concluiu que era preferível deixá-lo ganhar ao invés de levar um humilhante golpe na cara.
Assim, sua habilidade no jogo não evoluía, pois ele não usava o raciocínio, já que todos o deixavam ganhar. Contudo, em seu conceito, ele se julgava o melhor de todos.

No terceiro dia do terceiro mês, em homenagem a sua filha, Chio, o senhor feudal ofereceu um banquete aos seus servidores graduados. Tradicionalmente, o dia 3 de março é o Dia da Boneca Hina (Hina no sekku), ocasião em que as meninas expõem bonecas que representam a corte imperial e recebem as amigas servindo saquê branco e doce.

Durante o animado banquete, Sayemon convidou Saito Ukon, um velho e fiel guerreiro seu, a jogar gô.
Ukon nunca havia jogado com o daimiô. Sentiu-se honrado pelo convite e, como um samurai, preparou sua mente para morrer, após dar uma lição em seu senhor.

Em uma sala decorada, foi colocado um goban (tabuleiro de gô) com as duas caixas contendo as pedras brancas e pretas. Conforme o costume, as pedras brancas pertencem ao jogador mais forte; e as pretas, ao mais fraco.
Sem cerimônia, Ukon apanhou as pedras brancas e deu o primeiro lance. O ato não agradou nem um pouco a Sayemon, o que ele procurou não demonstrar. Estava acostumado a ganhar e sabia que Ukon sairia derrotado e pesaroso pela derrota e por ter usado as pedras brancas.

Porém, o jogo terminou com a vitória de Ukon.
– Vamos jogar outra partida. Agora, vou mostrar que posso vencer quando quiser – disse Sayemon, convicto.
Novamente, Sayemon perdeu o jogo. Desta vez, ele não conseguiu disfarçar sua raiva. Com a voz trêmula de ódio, ele desafiou Ukon para mais um jogo.

Mais uma vez, Ukon foi o vitorioso. Sayemon ficou descontrolado e apanhou seu abanador de ferro. Levantou-se para desfechar uma violenta bofetada em Ukon. Inesperadamente, o velho Ukon segurou-lhe o pulso e disse:
– Meu senhor, que idéia faz a respeito do jogo de gô? Para mim, seu fiel servidor, creio que o jogador mais preparado ganha a partida. Meu conselho é que o senhor estude melhor as técnicas, para vencer de fato seus parceiros de jogo, e não se vangloriar por vencer aqueles que se deixaram derrotar, para não serem submetidos a sua ira. 

Sayemon encarou Ukon com um olhar cheio de ódio. Ukon curvou-se, submisso, até sua cabeça tocar o assoalho.

– Vassalo insolente! – gritou Sayemon – Permaneça com a cabeça curvada, pois vou decapitá-lo.
– Sua espada foi feita para matar seus inimigos, e não seus servidores – disse Ukon, ajoelhado e de cabeça abaixada – Não é preciso me matar, porque eu já fiz o harakiri, para pagar com minha vida o atrevido conselho que lhe dei. Peço que não sacrifique mais seus fiéis servidores por esse capricho de querer ganhar todas as partidas de gô.

Ukon levantou a cabeça, abriu sua roupa e mostrou seu ventre cortado horizontalmente, de lado a lado.
Após um momento, Sayemon baixou a espada com força sobre o tabuleiro, cortando-o em dois. Aquilo foi significativo. Parecia dizer que Sayemon não jogaria mais gô. 

O daimiô ajoelhou-se ao lado de Ukon e disse:
– Ukon, meu mais velho e fiel servidor. Perdoe-me. Seguirei seus conselhos, corrigindo minha conduta.
Ukon foi enterrado no jardim do castelo, junto ao tabuleiro de gô. Sayemon mudou, tornando-se um daimiô justo para o seu povo.

Alguns meses depois, uma cerejeira brotou de seu túmulo. Três anos mais tarde, no terceiro dia do terceiro mês, ela floriu. 

Quando a cerejeira cresceu, o povo viu que a casca de seu tronco estava rachada em quadradinhos e lembrava o tabuleiro de gô. A árvore foi considerada sagrada. Ainda hoje, ela atrai turistas que viajam para apreciar a “cerejeira-tabuleiro de gô”.





Arigatoo gozaimasu
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Lendas Do Japão - Ubasute-yama


Por três vezes a sabedoria de uma anciã salvou
a vida das pessoas de um pequeno feudo






Era uma vez, na região norte do Japão, havia um feudo pequeno e pobre, onde a luta pela sobrevivência era um pesado fardo. Isso levou o senhor feudal a decretar que pessoas que completassem o seu ciclo de vida (60 anos) fossem abandonadas no monte Ubasute-yama – a montanha de jogar idoso. 


O povo estava indignado com o feudatário, mas não podia fazer nada contra sua autoridade.
Distante da cidade, na vila de Sarashina, morava um moço trabalhador e honesto, que cuidava da lavoura e de sua velha mãe. Quando ela completou um ciclo de vida, acabou o sossego do filho. Ele já sabia que era sua obrigação levá-la ao monte e abandoná-la. 


– Se tenho que me separar dela, melhor levá-la eu mesmo para aquela maldita montanha. Não quero entregá-la nas mãos daqueles soldados que vão levá-la à força – pensou o moço. 
Era noite de lua cheia. 

– Mãe, a lua está bonita, vamos apreciá-la da montanha.

Carregando a mãe nas costas, ele andou o caminho da vila e começou a subida da montanha. Enquanto era carregada, a velha mãe ia quebrando ramos de arbusto e jogando-os na trilha.
O filho percebeu, mas nada disse. Sabia que a mãe estava deixando sinais para tentar voltar à aldeia depois de abandonada. Numa clareira junto a um velho pinheiro, o filho depositou a mãe. Sabendo que aquela seria a última vez que a veria, ele começou a chorar.

– Perdoe-me mãe... Eu disse que viríamos apreciar alua cheia, mas eu a trouxe para abandonar-lhe aqui, antes que os soldados do feudatário fossem buscá-la em casa.
– Eu sei, esse é o destino de todos os anciãos da região. Quero que você vá embora e cuide bem de sua saúde. Deixei pequenos ramos de arbustos para você não se perder no caminho de volta.
Naquele momento, o jovem entendeu o que é o amor materno. Mesmo sabendo que estava sendo abandonada, a mãe só se preocupou com a segurança do filho. O rapaz mudou de idéia.
– Você vai voltar comigo, mãe, não conseguirei deixá-la aqui.
Chegando em casa, o filho cavou um porão e escondeu a mãe. Assim, levava comida e ficava conversando com ela todas as noites.
Naquela época, a “era das guerras entre feudos”, era comum a provocação entre territórios vizinhos. Assim, um dia, uma carta-desafio chegou do feudo vizinho para o daimyô de Shinano.
– Quero testar a inteligência de seu povo. Será que conseguem fazer um nó de corda com cinzas? Se não conseguirem, preparem-se para uma guerra. 

Fazer um nó de corda de cinzas era uma missão impossível. O daimyô fez várias reuniões com seus conselheiros, mas não encontrou solução. Então, colocou placas por todo território, prometendo recompensa para quem resolvesse o desafio.
Já que pessoas idosas têm bastante conhecimento, o jovem que escondeu a mãe no porão perguntou a ela se havia uma saída.

– É fácil – disse a mãe – basta untar a corda com sal e botar fogo nela. Com a reação do sal diante do fogo, a corda vai se manter em seu formato sem desmanchar.
O filho pôs em prática o ensinamento da mãe e, admirado com o resultado, levou a corda para o castelo do daimyô.


O feudatário ficou impressionado. Enviou a corda para o castelo vizinho e recompensou o moço pela façanha.
O senhor do castelo vizinho sentiu-se frustrado e ainda enviou mais dois desafios para certificar-se que o povo era inteligente.


Nos dois casos, a mãe indicou a solução ao filho.
– Você é a pessoa mais inteligente de Shinano. Por três vezes salvou nosso território. Peça o que quiser – disse o daimyô.
– Senhor, foi minha mãe quem solucionou os desafios, e não eu. Meu pedido é que poupe sua vida e deixe-a viver na aldeia.


Arrependido, o senhor feudal revogou a lei contra os idosos. E, vencido, o daimyô vizinho reconheceu que o povo de Shinano era muito inteligente. Portanto, deveria pensar bem antes de atacá-lo. 




Arigato gozaimasu
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